Filtro do amor #3

Cá estou eu para escrever mais uma edição do Filtro do Amor e devo dizer que essa realmente me surpreendeu. Eu já pretendia escrever sobre o assunto, mas o que me levou a trazê-lo essa semana foi uma notícia que vi na semana passada sobre o ator Keanu Reeves estar namorando a atriz trans Jamie Clayton, de “Sense 8”. O que realmente me espantou foram comentários preconceituosos e piadas de mau gosto nos comentários da notícia. Logo após o ocorrido, algumas pessoas alteraram a notícia de maneira a estimular a reflexão sobre o tratamento dado às pessoas trans.

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Depois disso eu pesquisei, e pesquisei e pesquisei. Durante a minha jornada num mundo desconhecido e cheio de mitos e tabus, descobri que –mais uma vez- o preconceito enfrentado pelas pessoas transgênero surge da falta de informação. Então vamos esclarecer dois conceitos muito confundidos por uma galera ai.

Transgênero – é quando a identidade sexual não está de acordo com o seu sexo biológico, ou seja, um indivíduo nasce do sexo masculino, porém se identifica com o sexo feminino e vice-versa. Logo, são feitas cirurgias de troca de sexo e o controle através de hormônios.

Travesti – eles não têm uma única identidade de gênero, têm as duas. Ora se sentem mais masculinos, ora mais femininos, portanto não fazem procedimentos para troca de sexo, não querem anular nenhum dos dois lados.

Nota: muitos dizem que travestis são transexuais pobres. Nem Freud explica tamanha maldade e ignorância. 

Tendo isso em mente, já podemos começar a falar um pouquinho sobre a vida e as dificuldades dos indivíduos transexuais. Essas pessoas já apresentam sinais de que nasceram no corpo errado durante a infância, expressando desejos relacionados ao outro sexo e cabe aos pais e parentes ficarem sempre atentos e dar apoio e liberdade para que a criança possa se comunicar e se expressar. Infelizmente nem todos os pais e familiares fazem isso, o que pode acarretar problemas de auto-estima e depressão – estima-se que 41% dos considerados transgêneros já tentaram suicídio. Ok, a sociedade impõe que o que é certo são dois sexos e duas identidades de gênero: homem e mulher, masculino e feminino; Alguns dizem que tudo isso é “invenção de moda”, “uma aberração”, “coisa de satanás”, será mesmo ? Após tantos anos de evolução no campo da ciência e da diversidade encontrada em todos os cantos do globo, o ser humano continua ignorante e míope? Seriam os preceitos cristãos os únicos culpados por essa massificação do ideal humano, não apenas sobre esse tipo de preconceito, mas sobre todos? Uma boa reflexão para o final de semana.

Mas o cenário vem mudando, ah se vem. A partir do momento que a mesma pauta é questionada várias vezes, quer dizer que algo está para mudar. Nos últimos meses vejo casos de transgêneros se assumindo, como Caitlyn Jenner, e muitos ganhando espaço no mundo da moda, televisão, nas mídias em geral. Isso é prova do quanto foi conquistado e de que a luta por direitos e respeito não tem sido em vão. Porque cá entre nós, sabemos que existe a lei e que todos são iguais perante ela, mas a história mostra que a lei está sempre do lado da minoria privilegiada não é? Acontece que isso não será mais aceito.

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Para ilustrar bem o que eu já disse e a mensagem que quero passar aqui vão alguns vídeos.

Durante minhas pesquisas também descobri sobre a Campanha Nacional “Sou Trans e Quero Dignidade e Respeito”, a proposta é postar vídeos caseiros clamando por dignidade e respeito para esse segmento que se encontra marginalizado por muitas pessoas. No Youtube e na página do Facebook você poderá acompanhar o que essa Campanha pretende e conhecer de perto uma realidade diferente, sob uma perspectiva diferente. Queria citar também o Coletivo Duas Cabeças, que como eles bem dizem é “o Coletivo da Diversidade Sexual e de Gênero Duas Cabeças”  que foi criado por estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora para combater a discriminação. Essa galera se reúne para discutir sobre temas diversos que vão desde a discriminação da comunidade LGBT até o movimento feminista, e estão sempre de portas abertas para receber qualquer pessoa que queira discutir ou bater um papo.

Bem, acho que é isso. Espero ter conseguido esclarecer um pouco sobre o assunto e abrir a mente de muitas pessoas por aí.

Filtre o preconceito, absorva o amor.

P.S: falando de amor, parabéns pelos 4 meses mais apaixonados e felizes da minha vida, meu amor! Obrigada por sempre me surpreender e me fazer a mulher mais feliz desse mundo! Eu te amo mais que todos os infinitos!

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Sobre adotar e amar

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Quem me conhece sabe que desde sempre tive muitos animais. Era cachorro, passarinho, tartaruga, coelho, pato, cavalo, cabrito, e era puro amor e alegria. Quando algum novo animalzinho chegava lá em casa era uma reunião de família, de um lado meu pai e meu irmão tentando boicotar com qualquer nome bobo, do outro eu e minha mãe tentando escolher um nome adequado para meu filho. A situação chegou a tal ponto que fizemos o casamento de Toco e Nina (centenários na idade canina), ambos com trajes de casamento. Meu irmão vestia um terno e eu uma roupa arrumada, acho que o padre foi a minha mãe e o bolo foi ração com leite, e não eu não comi – dessa vez.

No ano passado eu queria um novo amiguinho de presente de aniversário e foi então que começou a Odisseia do mini coelho. Eu descobri por forças do destino que mini coelho era o animal certo pra mim e queria porque queria um, as palavras “mini coelho” foram mais ditas que “to com sono”, acredite isso é muito. Ligamos para trilhões de pessoas e quase pedi um por sedex, foi em uma dessas tentativas que entrei em um petshop e me deparei com filhotes de yorkshire. Amor a primeira vista. Outra vez ligamos para vários canis e encontrei o amor da minha vida -na forma canina-, Lola. Ela é a maior amiga, confidente e companheira que já tive, cuida de mim em todos os momentos e de quebra dorme de conchinha, quer mais?

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E esse ano, por meio de amigos e redes sociais, me inteirei mais sobre a questão do abandono animal e da adoção. E foi especialmente esse vídeo sobre as responsabilidades da adoção que vou mostrar a seguir que me despertou da inércia social em que me encontrava.

Então, eu e minha amiga (Japa), que mora comigo, resolvemos adotar uma gatinha, e foi puro amor. Lembro que todos os nossos amigos foram lá para casa para receber a nova integrante da família e claro, escolher o nome. Depois de muitas sugestões Victor finalmente disse “Beck”. Sim, de baseado. Humanas, minha gente, humanas. E assim ficou.

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Minha vontade é de adotar todos os animais carentes e abandonados do mundo, mas como não posso vou dar minha dica e espero que alguém que esteja lendo isso agora se solidarize.

1- Se souber de algum animal abandonado, contate a ONG ou órgão responsável pela causa. Se não houver nenhum na sua região, alimente o bichinho, dê os primeiros socorros e compartilhe nas redes sociais sobre a necessidade de uma casa para ele -alertando sempre para a adoção consciente, peça para que compartilhem até que de fato ele seja adotado.

2- No facebook você sempre vai encontrar lares e locais encarregados de cuidarem dos animais abandonados. Ajude compartilhando as publicações, doando ração e se puder, adote! Em juiz de fora temos o Casa com Gato e o Canil Municipal, que eu conheço.

3-Agora uma novidade, um aplicativo foi criado pelos chamados DogLikers, o Au.dote. Ele é o tinder dos apaixonados por cães, você sabe tudo sobre o cão que quiser adotar e a quantos quilômetros de distância ele está de você, quer coisa mais legal? É importante dizer que só podem anunciar cães as ONG’s que forem aprovadas pelo time DogLikers, assim quem adotar terá total segurança e apoio.

4-A atenção que você der a um animal abandonado nas ruas, por mais passageira que seja, fará toda diferença para ele! Então o que custa fazer aquele cafuné no cachorro que está do seu lado, ein?

E é isso, galera, espero que de alguma forma eu tenha tocado o seu coração. Abrace essa causa. Adote!

Filtro do amor #2 – Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?

Fala, galera! O Filtro do Amor de hoje vai tratar de um tema que vem sendo muito recorrente nos últimos tempos: A Ditadura da beleza. Sim, uma das piores ditaduras, uma que afeta seu psicológico e principalmente sua auto estima. Você muitas vezes não se dá conta de como e quanto ela influencia na sua vida e no seu bem estar, mas se você se identificar com alguma das situações abaixo, você está sendo oprimido pelos padrões estéticos. Então lá vai:

  1. Você sai de casa toda arrumada e se achando linda, mas se você acha que sua amiga ou conhecida está mais bonita que você começa a se colocar para baixo achando que não está tão bonita assim.
  2. Você sempre está insatisfeita com seu corpo, não importa o quanto malhe ou o quanto as pessoas te digam que você está ótima.
  3. Toda vez que você olha no espelho sempre encontra milhares de defeitos, seja no seu corpo ou no seu rosto.
  4. Ah, se você pudesse ser aquela famosa linda, com a vida perfeita, o corpo perfeito, o cabelo perfeito. Afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde.

Quero que você perceba que coloquei tudo no feminino para atentar a mais uma situação, essas imposições estéticas são modeladas e feitas por homens e para nós mulheres. Sim, miga, o sistema patriarcal e machista ainda vigente continua querendo nos dizer como devemos nos vestir, quais são as medidas perfeitas para o corpo ideal, como deve se portar, o que deve pensar, o que é ser feminino etc. E é nessa brincadeira que situações como bullying, “gordofobia” e qualquer rejeição e exclusão do que não seja o “bonito” se tornam cotidianas e normais. E o que seria de fato bonito? Beleza não seria algo subjetivo? Não seria algo que mixasse interior com exterior? E se você concorda com essas perguntas, por que ainda assim se submete a esse sistema? Simples, porque você foi criada nele, e assim como demoraram anos para que a ideia de belo fosse “implantada” em você, demorarão anos para que você readquira o que lhe foi roubado já na infância, a liberdade de ser subjetivo, de se achar bonito e se aceitar pelo que é – e consequentemente aceitar o outro.

Peço licença para me aprofundar um pouco mais na questão “gordofobia“, porque acho que é um dos melhores exemplos dessa ditadura. Como a própria palavra diz é o preconceito contra gordos – e não vou utilizar eufemismos para a palavra gordo, porque não é nenhum xingamento, assim como as palavras negro, branco, magro, alto, baixo, também não são. Enfim, você já percebeu que a maioria das lojas não oferecem roupas plus size? E se oferecem são roupas mais senhoris ou simplesmente bem apagadinhas? A mensagem dessas linhas de roupa é basicamente a seguinte: emagreça e entre nos nossos padrões para aí sim poder usar nossas roupas. Existe coisa mais opressiva e ditatorial que isso?

Mas o cenário já está sofrendo mudanças, migas, uma legião de mulheres plus size vem se erguendo e começando um movimento que vem ganhando muita força e notoriedade, confrontando diversas marcas e exigindo sua inclusão no mundo da moda e na sociedade em si. Ensaios fotográficos mostrando a beleza das formas e da diversidade do corpo feminino, vídeos que viralizam na internet criticando abertamente os padrões do mundo da moda, campanhas que põe em pauta a questão da liberdade de se vestir e de usar um biquíni e não ser reprimida por isso. Pois é, amigos, o empoderamento das gordinhas e mulheres como um todo aí! E o movimento ganha volume e voz de muitas pessoas que se conscientizam, se sentem representadas e poderosas para expor seu descontentamento com a Ditadura da Beleza.

Confira alguns desses vídeos e campanhas a seguir:

Esses e outros vídeos você encontra no Catraca, Youtube, Google, em todo lugar! Uhuuul!

Para finalizar eu queria propor a você que está lendo este post que reflita sobre sua real beleza. Pratique esse exercício todos os dias e lembre-se: o que as pessoas pensam de você é problema delas, não seu.

OBS: Gente, olha que amor, o projeto foi aderido pelo blog da Tanise também, então corre lá que ela também vai falar desse assunto!

Filtre o preconceito, absorva o amor. 

Projeto: Filtro do Amor

Oi galera, depois de um longo hiato voltei ao blog. Antes de começar o texto em si, alguns esclarecimentos: o Projeto Vida voltará assim que voltar de férias; pretendo voltar com a frequência de posts sim; e aproveitem e abra a mente (e o coração) com esse novo projeto.

Eu acho que tenho uma queda por projetos, para mim eles são símbolo de renovação, novidade, começo de algo que pode vir (e espero que venha) mudar a vida de alguém. É nesse clima de compaixão e de humanidade -ou no que deveria significar essa palavra- que venho anunciar a chegada do PROJETO FILTRO DO AMOR, que veio de mansinho para entrar na sua vida, filtrar o preconceito e deixar só amor!

Mas Jú, sobre o que exatamente esse projeto vai tratar? O Filtro do Amor vai trazer preconceitos e tabus que ainda permanecem como maioria da opinião popular. Vou me permitir ser verborrágica e dizer que o projeto vai: desmistificar, desconstruir, construir, criticar, esclarecer e iluminar. E se eu conseguir ser bem sucedida nele, apaixonar você leitor pelas causas sociais, assim como eu sou.

O tema de hoje é algo que não aparece na mídia há um bom tempo e muitos (eu inclusa) devem ter esquecido dessa questão. O preconceito com pessoas soropositivas. O que trouxe a tona a temática em si foi uma campanha publicitária “Cartaz HIV Positivo” super legal que abordou a inclusão social do portador do vírus e de como o HIV ainda é um assunto muito mistificado e cheio de tabus, tudo por  conta da falta de informação sobre o assunto. E o que é o preconceito se não a falta de informação? Afinal é só analisar a palavra em si para entender. Pré-Conceito: um conceito formado antes de se conhecer algo realmente.

Então aqui vão algumas informações importantes:

1- HIV significa vírus da imunodeficiência humana, causa a Aids e destrói o sistema imunológico. Ou seja, doenças respiratórias, câncer e outras doenças oportunistas conseguem atingir o indivíduo sem que haja nenhuma defesa. Logo,  ninguém morre de Aids, mas sim das doenças oportunistas.

2- As formas de contágio são: fazer sexo sem camisinha (oral, vaginal, anal); compartilhando agulhas e seringas contaminadas (via sangue); de mãe para o bebê durante a gravidez na hora do parto e/ou amamentação (lembrando que se a mãe fizer o pré-natal e seguir as orientações do médico, o risco de contaminação do bebê cai para menos de 1%). Então, galera, quem tem HIV namora, beija na boca, transa (com camisinha) assim como todos os mortais.

3- Caso você desconfie que possa estar com o vírus espere 30 dias e vá a um posto de saúde. O teste é gratuito e pode ser feito anonimamente.

Se você clicar aqui vai poder ler mais sobre o vírus, os sintomas, o tratamento e os direitos dos soropositivos.

A Campanha produzida pelo Grupo de Incentivo à Vida (GIV) em parceria com a Agência Ogilvy e Mather, tem a seguinte proposta abordar o estigma e discriminação sobre as pessoas vivendo com HIV e ressaltar que apesar da epidemia estar entre nós há vários anos, nos quais ocorreram muitos avanços em matéria de tratamento e prevenção, o estigma ainda persiste. Portanto, além de quebrar tabus, a iniciativa mostra o lado humano, solidário e compassivo que podemos ter com o outro nas situações mais difíceis.

Filtre o preconceito, absorva o amor.